A Bíblia é de Inspiração Divina
A Bíblia é um conjunto de livros inspirados por Deus, que através da ação do Espírito Santo, a alma da Igreja, foi escrita por autores humanos_ hagiógrafos_ às vezes, com intervalo de centenas de anos, mas, primeiramente, ela foi vivida e transmitida, oralmente, para depois ser escrita.
Etimologicamente, a palavra Bíblia vem do grego bíblos ou bíblion (βίβλιον), que significa "rolo" ou "livros". A palavra Testamento significa “pacto”, “aliança”, e a Bíblia é dividida em duas partes: Antigo Testamento ou Antiga Aliança e Novo Testamento ou Nova Aliança. O Veterotestamentário contém 46 livros, que narram o começo da História da humanidade e da doutrina de Israel, o povo eleito, escolhido de Deus. Já o Novo Testamento contém 27 livros e narram a vida e os ensinamentos de Jesus e dos Apóstolos. Além destas divisões, há, também, capítulos e versículos.
A Bíblia canônica, aceita pela catolicidade de forma autêntica, é da versão deuterocanônica, ou seja, catalogada em segunda instância, posteriormente, ao protocanônico. No século I d.C., começaram aparecer os livros cristãos (cartas de são Paulo, evangelhos...), que se apresentavam como a continuação dos livros sagrados dos judeus. Estes, porém, não tendo aceitado o Cristo, trataram impedir que se fizesse aglutinação de livros judeus e cristãos. Por isso, reuniram-se no Sínodo de Jâmnia, ao sul da Palestina, por volta do ano 100 d.C., a fim de estabelecer as exigências que deveriam caracterizar os livros sagrados ou inspirados por Deus.
Em consequência, os judeus da Palestina fecharam seu Cânon Sagrado sem reconhecer livros e escritos que não obedeciam à tais critérios. Acontece, porém, que em Alexandria, no Egito, havia uma próspera colônia judaica que, vivendo em terra estrangeira e falando língua estrangeira, o grego, não adotou critérios nacionalistas estipulados pelos judeus de Jâmnia. Os judeus de Alexandria chegaram a traduzir os livros sagrados hebraicos para o grego entre 250 e 100 a.C., dando assim, origem à versão grega "Alexandrina", "dos Setenta Intérpretes" ou “Septuaginta”. Essa edição bíblica grega contém livros que os judeus de Jâmnia não aceitaram, mas que os de Alexandria liam como Palavra de Deus; assim são os livros de Tobias, Judite, sabedoria, Baruc, Eclesiástico ou Sirácida, 1º e 2º Macabeus, além de Ester 10, 4 - 16, 24 e Daniel 2, 24 - 90; 13s. No século XVI, Martinho Lutero (1483-1546) querendo contestar a Igreja, resolveu adotar o Cânon dos judeus da Palestina, deixando de lado os sete livros deuterocanônicos que a Igreja recebera dos judeus de Alexandria. É esta a razão pela qual a Bíblia dos protestantes não contém os sete livros e os fragmentos que a Bíblia católica incluiu.
A Bíblia, inicialmente, foi escrita em três línguas: hebraico, grego e aramaico. A primeira grande tradução para o latim, chama-se Vulgata e foi feita por S. Jerônimo no ano de 384, a pedido do papa são Dâmaso. A escrita, na Antiguidade, era uma arte cara e rara, além disso, antes da invenção da impressão se escrevia em tijolos, papiros e pergaminhos. As Sagradas letras, que durante todo o tempo histórico continua sempre atualizada, é o livro da Revelação, sendo assim, deve ser lida com amor, humildade, veneração e admiração. A Bíblia católica contém no rodapé de cada página, notas explicativas para facilitar o leitor compreender, melhor, as Escrituras, como também, a palavra Imprimatur, ou imprima-se de um bispo, como garantia de que se trata da Palavra de Deus autêntica e sem nenhuma alteração.
Hoje, as escrituras oferecem respostas às perguntas do homem moderno, bem como é sinal que o conduz à conversão e à salvação. A Sagrada Escritura, como muitos pensam, não é um livro de contradições ou uma espada de dois gumes, mas é a palavra de Deus, que não se contradiz. Ela é o livro da vida e comunica, integralmente, a História do povo de Deus às gerações.
Pe Renivaldo Crispim
Vigário da Paróquia Catedral São Thomaz de Cantuária


