Realizamos na Paróquia uma live oracional para os casais. Naquele momento de oração meditamos sobre a quaresma e pandemia. Em certo momento da nossa reflexão surgiu esse termo PANDEMIA QUARESMAL, por isso, venho partilhar nossa breve meditação:
O que é a pandemia? Estamos diante de uma doença misteriosa, que alcança todas as classes da sociedade. Doença que fere os relacionamentos, evita os abraços e contatos humanos. Uma doença do isolamento, do silêncio e da ausência do outro. Em cada pessoa age de forma agressiva. Mata a sensibilidade e a compaixão, pois não podemos ir ao encontro dos enlutados. É grave, é doloroso. Essa doença mata de verdade tudo que o homem e a mulher necessita para viver. Temos medo da aproximação e do olhar, do aperto de mão e das reuniões extensas. Logo, a doença é o afastamento, isolamento, solidão e silêncio.
O que é a quaresma? Estes quarenta dias são marcados pelo jejum e oração, comunhão com Cristo no deserto. Falando de deserto, Cristo habita no deserto do coração do homem e da mulher. Penso sempre na quaresma como um tempo de fazer um propósito para com Deus. Cristo no deserto tem um propósito de não deixar de lado a missão e o projeto de Deus. Por este motivo, na quaresma de Cristo cabe a nossa decisão diante de um propósito firmado em Deus, ou seja, a continuação do Reinado do Senhor. Quaresma é tempo de Deus na nossa caminhada rumo a páscoa de Cristo, momento de passagem da cultura da morte para a cultura da vida, pois a vida vence a morte.
O que é a pandemia quaresmal? É a transformação da dor em alegria diante da presença de Cristo. É superar as dores do isolamento, do afastamento, da solidão e silêncio. No deserto, encontramos em Cristo o sentido e o significado da vida. Escutamos propostas nascidas de nossa humanidade: queremos pão, sentimos sede, desejamos o poder e a autoridade desse mundo. Pandemia quaresmal é a livre decisão de entrar no mistério da vida, olhando para dentro de si, não deixando que a síndrome do medo nos alcance. Cristo é levado para o deserto... fomos levados ao deserto de nossas casas. O sentido e a beleza desse tempo e dessa realidade é a presença diária de Cristo nos acontecimentos de hoje. Não estamos sozinhos nesse deserto de pandemias.
Pe.Valmir Miranda
Pároco da Quase Paróquia Ascensão do Senhor
Assistente Eclesiástico da Comissão Missionária Diocesana e da Pastoral Afro.