O bispo da Diocese de Camaçari, Dom Dirceu de Oliveira Medeiros, teve a graça de encontrar pessoalmente com o Papa Francisco em três momentos ocasiões. Ele compartilha as lembranças desses encontros que revelaram não apenas a força espiritual do Santo Padre, mas também sua leveza, bom humor e proximidade com todos. Ao recordar o Papa, Dom Dirceu ressalta não só seu legado espiritual e a firmeza no anúncio do Evangelho, mas também os gestos de ternura e simplicidade que marcaram sua vida e pontificado. Essas experiências, vividas de forma tão pessoal, tornaram ainda mais viva a presença de um Papa que soube ser sinal de misericórdia e esperança para a Igreja e o mundo.
Dom Dirceu, algumas características da personalidade do Papa Francisco também refletiram em seu pontificado. Que legado ele deixa para a Igreja e para a humanidade?
Quando alguém parte, claro, deixa um legado. E aqui eu gostaria de destacar qual é o legado do Papa Francisco, não só as suas encíclicas, que são preciosas, desde a Lumen Fidei, a Fratelli Tulti, a Evangelii Gaudium e, sobretudo, a Laudato Si, que é uma encíclica que trata do cuidado com a casa comum e que teve uma enorme aceitação, não só dentro da igreja, mas também da parte das lideranças mundiais, porque é uma questão muito séria essa do cuidado com o meio ambiente devido às questões climáticas. Mas mais do que o ensinamento do magistério dele, das encíclicas, eu diria também o seu comportamento que fala, a sua simplicidade, o seu espírito de misericórdia, a sua atenção com as periferias do mundo, com os mais pobres, os cuidados.
Tudo isso, então, é uma marca do pontificado do Papa Francisco. A pessoa não ensina só quando escreve encíclicas, cartas, mas ensina também, sobretudo, com seu testemunho, com a sua coerência de vida. Isso nós poderíamos destacar fortemente no Papa Francisco, do seu testemunho, que sonhava com uma igreja pobre para os pobres e que viveu essa pobreza, a simplicidade, até nos símbolos que usava, nos seus paramentos, na maneira de estar presente.
Ainda pouco, com a saúde debilitada, quinta-feira santa, fez questão de ir à prisão, em Roma. Não pôde lavar os pés dos que ali estavam, mas pôde marcar a sua presença como Cristo pobre no meio daqueles que estão ali para que possam sentir essa proximidade do Papa e da misericórdia de Deus. Então, eu diria que esse é um dos grandes legados, também, que ele deixa.
O senhor teve a graça de encontrar o Papa Francisco em diferentes momentos. Como foram esses encontros e o que mais o marcou pessoalmente?
A respeito dos encontros ou do encontro com o Papa, eu pude estar com ele em pelo menos três ocasiões pessoalmente. Primeiramente, na visita de Límina, em 2022, logo que cheguei à Camaçari. Estive junto com os bispos do regional, das 26 dioceses de Bahia e Sergipe, em visita de Ad Límina, que é algo previsto pela Igreja de 5 em 5 anos.
E tive, então, essa experiência de estar com ele. E cada um pôde fazer uma pergunta, uma conversa muito franca, aberta, simples. Eu me lembro que eu perguntei a ele como é que ele fazia, em meio a tantos conflitos e desafios, para manter o bom humor, a alegria, não perder a alegria.
E ele me respondeu, então, que rezava sempre uma oração, a oração do bom humor de São Tomas More. Portanto, uma coisa tão bonita, tão singela, esse testemunho do Papa, que mesmo diante de uma estrutura pesada, de uma agenda cheia, de tantas pressões, ele sabia manter aquela leveza e aquele bom humor e transmitir isso para todos nós.
Essa foi uma experiência marcante. Depois, uma brincadeira do Papa, quando eu me apresentei a ele logo na chegada, na Sala Clementina, eu disse que era um jovem Bispo, era o mais jovem das dioceses aqui da Bahia e de Sergipe. E ele falou: “Cuidado com a crise dos 40”, Ele perguntou a minha idade, eu disse 48, salvo engano, e ele, “cuidado com a crise dos 40”, e pôs-se a sorrir. Então, sempre essa leveza, esse acolhimento, uma pessoa que mostrava o lado humano, não escondia o lado humano do seu pontificado.
Logo depois, também tive a graça de participar da Assembleia Sinodal, das duas sessões, 2023 e 2024, sempre em outubro, permanecendo em Roma por quase 30 dias. E também a mesma coisa, o Papa estava sempre presente nas congregações gerais, ele participava conosco e eu também tive a oportunidade de saudá-lo várias vezes, e conforme ele brincava com a gente, eu também devolvia a brincadeira um dia, perguntando se ele preferia cachaça ou oração. E ele me respondeu em italiano, ambedue, que quer dizer as duas coisas, e sorrindo.
Então, sempre esse lado humano, alegre, trazendo essa esperança, essa ternura para todos nós. Esses encontros, que não eram marcados nem pela cobrança, nem pelo peso, nem pela sisudez, mas marcados, então, pela cordialidade, pelo coração de pastor que ele tinha, esse coração que certamente está gravado na memória de cada um de nós. Então, quero agradecer a Deus pelo testemunho do Papa Francisco, pedir a todas as comunidades, aos padres, que rezem especialmente em sufrágio da sua alma, e que nós, acima de tudo, possamos guardar na memória e no coração o seu legado, que ele deixa para todos nós.
O bispo da Diocese de Camaçari, Dom Dirceu de Oliveira Medeiros, teve a graça de encontrar pessoalmente com o Papa Francisco em três momentos ocasiões. Ele compartilha as lembranças desses encontros que revelaram não apenas a força espiritual do Santo Padre, mas também sua leveza, bom humor e proximidade com todos. Ao recordar o Papa, Dom Dirceu ressalta não só seu legado espiritual e a firmeza no anúncio do Evangelho, mas também os gestos de ternura e simplicidade que marcaram sua vida e pontificado. Essas experiências, vividas de forma tão pessoal, tornaram ainda mais viva a presença de um Papa que soube ser sinal de misericórdia e esperança para a Igreja e o mundo.




