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É com grande alegria que nos encontramos na Igreja Catedral São Tomás de Cantuária para festejar os 254 anos de fundação da Cidade de Camaçari, num momento especialmente importante para a cidade, na proximidade das eleições municipais.   Gostaria de falar três coisas que podem nos ajudar a viver este dia como realmente um dia de festa:  

 1. Um olhar ao nosso passado, à constituição da cidade de Camaçari, para lembrar os ideais que orientaram a construção da cidade e presidiram à sua grandeza.  
 2. Um olhar ao futuro e para os desafios que ele nos apresenta. Interessa-nos encontrar as razões da esperança e as motivações para empenho conjunto de cada cidadão e das pessoas revestidas de especial responsabilidade para que as capacidades e os esforços de cada um possam convergir sempre mais na construção de uma Camaçari de paz, de justiça e de fraternidade. 
   3. E, por fim, uma breve palavra aos candidatos a prefeito e a vereador neste momento de muito trabalho e cansaço, de muita ansiedade e incertezas.   O Papa Bento alerta na Encíclica Caritas in Veritate: “A Igreja não tem soluções técnicas para oferecer e não pretende de modo algum imiscuir-se na política, mas tem uma missão ao serviço da verdade... a favor de uma sociedade à medida do homem” (CV 9). É neste horizonte que pronuncio estas palavras.  

 1. Quero recordar as raízes da história da Cidade de Camaçari, que remontam ao tempo em que Tomé de Souza, Primeiro Governador Geral, enviou dois jesuítas, o Padre João Gonçalves e Irmão Antônio Rodrigues, para fundarem a Aldeia do Divino Espírito Santo de Abrantes, às margens do Rio Joanes, onde habitavam os índios Tupinambás. Eles foram evangelizados, sendo a Aldeia do Espírito Santo o primeiro núcleo habitado nesta região que se tornaria, mais tarde, parte do município de Camaçari. 

 Na origem da cidade de Camaçari estão, então, missionários que trouxeram aos antigos e aos novos moradores desta região a presença de Jesus Cristo que vence a morte. Essa raiz do início continua hoje, Jesus Cristo continua vivo, Ele ressuscitou, e o Bem aventurado João Paulo II diz: “Ele é nosso contemporâneo”, pode ser encontrado por nós, podemos nos ligar a Ele, a Ele podemos dizer: “Tu Senhor Jesus, aqui”. Temos um grande interesse nesta raiz de vida, porque Jesus é a luz que ilumina a inteligência, é a misericórdia que perdoa nossos pecados, é a sabedoria que orienta os passos de nossa caminhada. Ele quer nos doar sua potência divina que vence a morte para que sejam vencidos em nós os impulsos para o mal e prevaleça a construção da paz e do bem. 

Muitas gerações de homens e mulheres encontraram alegria e paz ao encontrar esse amor infinito e eterno trazido pelos missionários: na hora de semear, buscavam as bênçãos de Deus para que não faltasse a chuva e resplandecesse o sol; quando nascia um filho, o levavam para batizar, para imergi-lo em Cristo; quando se casavam, pediam que seu amor fosse fortalecido e abençoado pela graça divina, quando adoeciam e morriam, se animavam com a esperança da vida eterna, almejando a morada do Pai, a ressurreição definitiva.   Milhares de pessoas hoje nesta cidade se encontram, lutam, esperam: buscam emprego, mas também dignidade. Correm atrás do dinheiro, mas também do significado do afeto e do trabalho, da vida e da morte; caminham na terra, mas aspiram ao céu. Eles se distraem com  músicas e TV, mas também buscam a certeza de que vale a pena o sacrifício quotidiano; esperam a sorte, mas procuram a esperança que não desilude; desejam ambientes de paz e de justiça, mas também a misericórdia e a vida eterna. Constroem prédios, carros e avenidas, mas também famílias, escolas, comunidades, e são capazes de vida fraterna e solidária.   O povo de Camaçari é povo de Deus, povo da Aliança. As pessoas se lembram de Deus quando olham para a criança que brinca na frente da casa ou quando levantam os olhos e admiram as estrelas, ou quando veem as chaminés com chamas no polo, ou quando se encantam com a beleza do rio, das colinas, das praias, ou quando, arrumando-se de manhã, veem o próprio rosto. Tudo converge para dizer: obrigado Senhor, tudo isto recebemos de tuas mãos amorosas.   Aqui se entrelaçam as dádivas divinas e o trabalho humano para que se multipliquem os bens.   A grande maioria dos cidadãos de Camaçari reza diariamente antes de sair para o trabalho: invoca a proteção de Deus para a sua família, mas reza também pelas autoridades públicas e pela a paz na cidade. E muitos saem de casa depois do trabalho para estudar o Evangelho, adorar a Deus, para o encontro de casais ou a reunião da comunidade, para visitar doentes e levar a esperança.   Podemos afirmar, cheios de comoção e de esperança: Deus habita esta cidade. E isto não é um modo de dizer, é a realidade que, quando reconhecida e acolhida, faz uma grande diferença na maneira de viver o trabalho, os afetos, o empenho com o bem comum.  Por isso, o Papa Bento XVI, na sua recente visita à Alemanha, disse e repetiu: “Onde há Deus, ali tem futuro”. Se Camaçari é morada de Deus, então, o povo de Camaçari tem um futuro de luz e de paz.   Hoje, no dia em que celebramos os 254 anos da fundação da cidade, reunidos na Igreja Catedral, nós povo de Camaçari e as autoridades do governo municipal, queremos revitalizar nossas raízes cristãs e agradecer pelos benefícios que delas nasceram nestes 254 anos, queremos pedir perdão pelos nossos pecados e reafirmar nossa disponibilidade para estar na Aliança, pertencer ao Senhor. 


 1º Desafio.   O primeiro desafio é planejar e realizar um desenvolvimento que leve em conta essa história, que queira construir sobre esse alicerce, que leve a serio essas raízes, valorizando as características mais importantes da nossa cultura.     Nas últimas décadas, muita gente pensou que o caminho para o crescimento individual e social seria mais rápido sem a influência da religião, que era considerada como uma amarra que atrasaria o processo. De fato, experimentamos um grande desenvolvimento técnico e científico, mas juntamente com ele cresceu a violência, o uso de álcool e de drogas, fruto de uma cultura que considera tudo banal, sem valor. Está diante dos nossos olhos a prova de que se tratava de uma ilusão e deu errado.   Bento XVI nos recorda na Encíclica Caritas in Veritate que “o anúncio de Cristo é o primeiro e principal fator de desenvolvimento” e na mesma Encíclica ele diz: “Este mundo globalizado nos torna vizinhos, mas não nos faz irmãos.” Nesse sentido, podemos inaugurar uma nova etapa de desenvolvimento, mais atenta aos fatores humanos fundamentais.

2º Desafio.  O segundo desafio é fazer com que cada pessoa, cada família, cada profissional, cada força social e política possa convergir, somar, integrar sua ação para alcançar a grande meta: humanizar sempre mais esta cidade, para que não se torne uma grande Babel, ou um mundo feito de banalidades e de vulgaridades, de violência e de miséria, mas um lugar de crescimento e de paz, de solidariedade, de corresponsabilidade pra o bem comum. Um antigo romano, pagão, Terenzio, dizia: “Sou homem, nada do que é humano me é estranho”. Nós cristãos hoje podemos dizer: Eu sou filho de Deus, nós somos filhos de Deus, somos todos irmãos. A situação de ninguém me é estranha: as lutas, as esperanças, os dramas de cada camassariense são minhas lutas, minhas esperanças, meus dramas. Nesse horizonte, o atendimento de um doente no hospital, a aula dada numa escola, os cuidados com a segurança, adquiririam uma qualidade humana extraordinária.   Os trabalhadores do polo, os soldados da PM e da polícia civil, os médicos e as enfermeiras, os advogados e os juízes, os professores, os padres e os políticos, os gestores, todos podem fazer convergir seus esforços, para a construção de uma cidade mais moderna, mais segura, mais justa, mais fraterna e mais solidária. Uma das tarefas mais importantes dos representantes do povo, que serão eleitos para governar esta cidade será favorecer essa convergência entre diversas forças da sociedade. 

3º Desafio.   O terceiro desafio é oferecer uma educação e uma formação de qualidade: não somente escolas do ciclo primário, ensino médio, escolas profissionalizantes, universidades, mas formação humana atenta ao crescimento integral das pessoas, que ajude a descobrir o significado da vida e da morte, do trabalho, do afeto, da paternidade e da maternidade, crescendo na consciência da cidadania, na capacidade de conviver e servir.   O que é mais precioso na vida das pessoas não é produzido no polo, não está a venda no mercado, não se aprende na escola e nem na TV ou na Internet. Certas coisas se aprendem na família e na comunidade cristã. Aqui é cultivado o empenho para que não prevaleça a mentalidade de Caim (que matou por inveja o seu irmão Abel), para que os adolescentes e os jovens não se percam nas ilusões da vida fácil, mas sejam ajudados a acertar o passo da maturidade e do equilíbrio, para que elaborem um projeto positivo de crescimento, aprendam uma profissão, ganhem seu dinheiro com dignidade, constituam família, aprendam o amor que se doa até com sacrifício.   A chegada de grandes empresas e a expectativa de que a população de Camaçari vai dobrar em dez anos e lançam desafios gigantescos aos gestores. Sabemos que não basta o investimento produtivo, não bastam os dinamismos favoráveis da economia nacional, ou a colaboração de técnicos qualificados. É necessário dar espaço ao que move as pessoas e que é invisível aos olhos, mas muito real, como são as raízes nas árvores, os alicerces nas casas. Para as pessoas o fundamento é a relação com o Mistério Criador. É necessário dar espaço ao Fator que faz crescer a capacidade de amar, de compadecer-se, de agir retamente, eticamente.  É importante estabelecer parcerias para que o desenvolvimento seja realmente humano, integral, atento ao bem das pessoas.   Caríssimos Candidatos a Prefeito e a Vereador, eu tenho muito apreço pela dedicação de vocês ao bem da Cidade, conheço e estimo cada um de vocês. Sei que neste momento estão cansados e preocupados com o andamento da campanha. Gostaria de repetir a vocês as palavras que Jesus disse a seus discípulos: “Vinde a mim todos vós que estais cansados sob o peso do vosso fardo e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque soou manso e humilde de coração e encontrarei descanso para  as vossas almas, pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. (Mt 11,28-30)   

O jugo do qual Jesus fala é o jugo da amizade com ele, o jugo do afeto, o peso leve da ternura, da misericórdia que purifica, sustenta, orienta. Confiemo-nos ao Senhor, àquele que vence a morte, para que Ele nos conduza para o que é melhor para cada um.


 Agora convido todos a ficarem de pé e repetir juntos, inspirados no Patriarca Josué (Js24,15): Eu e minha família e minha cidade/ serviremos o Senhor./ Renovamos hoje/ a Aliança contigo, Senhor/ para construirmos a fraternidade, a justiça e o bem comum,/ para encontrar a alegria, a beleza, e a paz/ que somente em Ti,/ Senhor Jesus/ nosso Salvador/ podemos encontrar.   

                                                                  + João Carlos Petrini 

Bispo de Camaçari

 
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