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Homília de dom Petrini na missa em homenagem ao padroeiro da Diocese São Thomaz de Cantuária

Caríssimos irmãos e irmãs, Encontramo-nos na Praça da Catedral para festejar o nosso Santo Patrono, São Thomaz de Cantuária, ainda no início do ano civil, ano da fé, conforme foi proclamado pelo Papa Bento XVI. O início do ano é um momento propício para iniciar uma nova etapa de nossa vida, planejar um novo começo: nas relações familiares na atividade profissional, na dedicação ao bem comum, na luta quotidiana para defender a dignidade da vida, para construir a paz e conquistar a justiça, um novo começo iluminado por Deus, orientado pela sabedoria do seu Evangelho. O Papa Bento XVI, na sua mensagem para o dia mundial da Paz afirmava: “Cada ano novo traz a espera de um mundo melhor. Peço a Deus Pai que nos conceda a concórdia e a paz, para que se realizem todas as aspirações de uma vida feliz e próspera”. É um momento muito especial para a nossa cidade e para os gestores do Município recentemente eleitos ou nomeados. Durante esta Santa Missa, queremos rezar pelo povo de Camaçari e pedir a Deus pelo novo Prefeito (Ademar Delgado), por seus secretários e colaboradores. Que Deus os abençoe, ilumine, oriente e proteja de todos os males, para que possam perseguir o bem comum e construir a paz.  Confiamos na intercessão de São Thomaz de Cantuária para que cada um possa ser iluminado por Cristo em seu caminho e em suas responsabilidades. Ainda temos nos olhos e no coração o anúncio dos Anjos aos pastores: “Nasceu para vós um Salvador, (...) glória a Deus no céu e paz na terra aos homens por Ele amados”. Este anúncio, que nos foi repetido nestes dias, fala do fato mais importante da história, que aconteceu quando Cesar Augusto era imperador de Roma e Quirino era Governador da Síria. O Mistério Criador que faz brilhar o sol de dia e as estrelas de noite, o Mistério que a tudo dá vida, às aves e às árvores, às montanhas e aos oceanos, a este ar que respiramos e à nossa própria vida humana, a mim e a você, este Mistério que jamais ninguém viu, decidiu entrar no nosso horizonte de percepção, para ser visto, ouvido e tocado por nós, para ser uma presença entre nós, o Emanuel, isto é, Deus conosco, como falam as Sagradas escrituras. Ele foi apresentado como o Salvador, o Filho de Deus vindo a este mundo para salvar não somente nossas almas, mas a nossa existência, agora, do vazio, da solidão, da insensatez, do medo, para que vivamos com equilíbrio, justiça e piedade, conforme o seu desígnio de amor. Fé é reconhecer Ele presente e atuante em nossa realidade. Thomaz de Cantuária, homem de fé, nos ensina este caminho. Sabemos por experiência como as melhores intenções de bem facilmente se desvirtuam e as pessoas acabam fazendo o que não é bem. O próprio apóstolo Paulo, na carta aos Romanos, fala disso: “Não entendo o que faço, pois não faço o que quero, mas o que detesto. (...) Pois, querer o bem está ao meu alcance não, porém, realizá-lo. Não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero” (Rm 7, 14-19). São Paulo continua sua carta agradecendo a Deus porque nos enviou Jesus Cristo para nos libertar dessa situação dolorosa. Por isso, precisamos do Salvador: da sabedoria do seu Evangelho, da luz de sua presença, de sua potência divina que vence a morte, para orientar nossos passos. No Evangelho que foi lido, Mateus relata as primeiras palavras de Jesus em sua atividade pública: “Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo”. Converter-se significa mudar a direção e o foco do nosso olhar e, portanto, do nosso agir. Não mais dedicar toda a atenção ao que eu quero, ao que eu não quero, ao que eu planejo, ao que eu não tenho, ao que me magoa, como se eu fosse o centro do mundo. Mas olhar a tua presença, Senhor Jesus, prestar atenção à tua Palavra, assimilar teus sentimentos e teus pensamentos e agir em conformidade com isso. Esta é a conversão. Seu fruto é uma vida que começa a mudar. Quando seguimos Jesus Cristo e nos deixamos iluminar pela sua Luz, nós começamos a mudar. Nossa vida se torna mais intensa, mais apaixonada, mais carregada de beleza e de significado. Ficamos mais atentos ao drama das outras pessoas, mais pacientes diante de situações duras; mais corajosos para enfrentar desafios, mais equilibrados para responder às provocações, mais abertos para socorrer os pobres. Em suma, nossa vida torna-se mais humana, com uma capacidade maior de compreender e de amar. Surge assim um tipo humano diferente, que vive melhor e convive melhor com os outros. Thomaz de Cantuária é um grande exemplo desse tipo humano modelado pela fé. Pelo contrário, quando as pessoas e a sociedade se afastam de Deus e ignoram a presença de Jesus Cristo, a convivência se torna desumana, os relacionamentos mais duros, as necessidades e os dramas das outras pessoas parecem não interessar, a conveniência e o interesse tornam-se os critérios para decidir tudo. Sem Ele, a vida se torna vazia, oscilando entre momentos de prepotência e momentos de desespero, entre momentos de euforia e de grande e angústia. Nesse horizonte, muitos se conformam em viver pela metade: Sabemos por experiência que é possível ser estudante pela metade, professor pela metade, trabalhador, cidadão, até mesmo ser pai pela metade, (...) Mas não vale a pena. Perde-se o melhor da vida. Simão Pedro disse no Evangelho: “Longe de ti, aonde iremos nós, Senhor? Só Tu tens palavra que dão sentido à vida”. Esta mentalidade que ignora o Mistério e sua presença arruína os ambientes de trabalho, a convivência entre amigos e até mesmo as relações familiares. Assim, nas escolas, o bem do aluno deixa de ser o interesse principal, nos hospitais, o bem do doente deixa de ser o foco prioritário, nos tribunais, a justiça deixa de ser o ideal mais importante, e assim por diante. O convite que vem do Evangelho de hoje é converter-se, retornar a Deus, direcionar nossa inteligência e nosso coração a Jesus e a seu Evangelho, fazer como Thomáz, para sermos capazes de acolher outras pessoas com atenção e respeito, perdoar ofensas, viver gestos de amor gratuito, estabelecer relacionamentos de amizade fraterna, em suma, viver intensamente, com beleza e equilíbrio, construindo ambientes de paz. Camaçari necessita desta qualidade de vida que só floresce do Coração de Jesus, de sua presença amorosa e da sabedoria do Evangelho quando o acolhemos na fé. É motivo de esperança perceber que a nossa cidade está crescendo e melhorando as condições de vida, quando outros países passam por grave crise econômica. Mas, isso não basta. Ficamos alegres com o crescimento da economia, mas necessitamos de uma cidade mais humana, de paz e segurança, de educação de qualidade, de cuidados com a saúde à altura da dignidade humana. A Igreja participa deste dinamismo com o anúncio do Evangelho. “O anúncio de Cristo é o primeiro e principal fator de desenvolvimento”, (CV, 8) disse o Papa Bento XVI na Encíclica Caritas in Veritate. II O nosso Padroeiro, São Thomaz Becket, Thomaz de Cantuária, é para nós motivo de inspiração, modelo de vida e também intercessor junto ao Pai. Ele era um homem de inteligência brilhante, de grande poder e riqueza, era grão chanceler do Rei Henrique II da Inglaterra, no século XII, mas era também um homem de grande fé, que se alimentava da Eucaristia e bebia da Palavra de Deus e cultivava a amizade com pessoas de grande experiência religiosa. Por isso, ele considerou que a verdadeira riqueza era Jesus e preferiu aceitar o martírio e permanecer fiel a Deus e à Igreja, do que preservar a vida, compactuando com quem atentava contra a liberdade da Igreja. Em 1154, foi coroado Rei da Inglaterra o jovem Henrique II. O arcebispo de Cantuária, Teobaldo, indicou para o cargo de Grão Chanceler que ficara vacante a Thomás Becket, que tinha trabalhado como seu secretário. O nosso Thomaz Becket (São Thomaz) tinha 37 anos e o Rei apenas 22. A inteligência e a forte personalidade de Thomaz Becket fascinavam o rei. Tornaram-se amigos e  extraordinários homens de governo. Em poucos anos, fizeram da Inglaterra a maior potência da Europa. Eles se complementavam nas tarefas políticas, mas também passeavam e saiam para caçar juntos. Thomaz Becket estava a serviço da corte do Rei, mas encontrava na Palavra de Deus e na Eucaristia não somente o alimento para a sua fé, mas também a sabedoria que nele era tão admirada e sua capacidade de governar e de cuidar dos pobres. Isto fazia a diferença, juntamente com a devoção à Virgem Maria. Foi por isso que, quando o arcebispo Teobaldo estava no fim da vida, escolheu Thomaz Becket para sucedê-lo como arcebispo de Cantuária. O rei Henrique II se alegrou com isto, pois imaginava encontrar em Thomaz Becket o amigo e o aliado de sempre para expandir seu poder sobre a Igreja e dominar os bispos que considerava empecilhos à sua autoridade. Mas Thomaz Becket decidiu servir um único Rei, Jesus Cristo, pois não reconhecia à coroa o direito de interferir na vida da Igreja. Deu as demissões do cargo de Chanceler e defendeu ativamente a liberdade da Igreja. Passou a viver  com simplicidade e a acolher em sua casa os pobres, chegando a lavar-lhes  os pés. Entre os dois antigos amigos surgiu um grave conflito, insuflado por pessoas maldosas. Em 1164, Thomaz é condenado por traição à coroa e seus bens são confiscados. Foge para pedir ajuda ao Papa e chega na França, onde se refugia como perseguido. O rei Henrique II persegue amigos e parentes de Becket, despojando-os de tudo. Depois de seis anos em exílio, Thomaz e Henrique II fazem um frágil acordo de paz. Ele volta para sua terra, acolhido e aclamado em toda parte por uma multidão de fieis que admirava sua fé. Chegou a Cantuária  em 29 de Dezembro de 1170. Quatro cavaleiros entraram na Catedral e assassinaram Becket nos degraus do altar, enquanto, com seus padres, cantava as vésperas. Depois do assassinato, descobriu-se que Becket usava um cilício (uma camisa de tecido grosso e desconfortável) por baixo das suas vestes finas de Arcebispo. Parece que o rei não pretendia que Thomaz Becket fosse assassinado, mas os barões que o mataram imaginavam fazer a vontade do Rei. Já na manhã seguinte, a multidão invocava Thomaz Becket como santo. Sua morte despertou grande fervor cristão em todo o povo. O lugar do martírio tornou-se imediatamente meta de grande veneração popular e de peregrinações, verificando-se numerosas curas e milagres. O Papa, apenas três anos depois, canonizou Thomaz Becket (São Thomaz de Cantuária). Em 12 de Julho de 1174, o rei Henrique II fez penitência pública junto ao túmulo de São Thomaz por ter criado o conflito que levou à morte o Santo. Nós admiramos a personalidade e a fortaleza de São Thomaz. Se em Camaçari o povo cristão tem um grande amor à Eucaristia e lota a Catedral todas as quintas feiras para a adoração do Santíssimo, é certamente por influência dele. Mas podemos nos aproximar de sua grandeza humana se percorrermos um caminho de fé semelhante ao seu: caminho simples, possível para qualquer pessoa. São Thomaz amava a Eucaristia, vivia uma grande familiaridade com a Palavra de Deus, se compadecia dos pobres socorrendo-os em suas necessidades, encontrava conforto na amizade com a Virgem Maria. Se neste ano, que ainda está no início e que foi proclamado o ano da fé, caminharmos juntos com São Thomaz e com a Igreja de Camaçari, poderemos  atingir luz na Palavra de Deus e sabedoria no Evangelho e força na Eucaristia. Nossa personalidade estará crescendo e daremos uma contribuição muito significativa para construir nossas famílias e nossa querida cidade na verdadeira paz. III Uma última palavra sobre a vida da Diocese: Neste horizonte, a Diocese fará neste ano um esforço redobrado na formação de suas lideranças com Escola de Vida Cristã e outras iniciativas de formação. O ano de 2013 será dedicado à construção do Centro de Pastoral, com um auditório para 200 pessoas e 4 salas de reunião, na chácara dos Padres; a construção da cúria diocesana (como escritório central das pastorais, dos diversos aspectos organizativos e administrativos) e, se Deus quiser, a Igreja da Sagrada Família no Bairro Novo. Espero que continuaremos a caminhar juntos como irmãos, como o povo de Deus, como fizemos na peregrinação no dia 25 de novembro passado, quando caminhamos por 6 km até o Santuário de NS das Candéias e éramos mais de dez mil pessoas. Queremos colocar nossa cidade de Camaçari, seu povo maravilhoso, seus gestores e, especialmente, o Prefeito Ademar, sob a proteção de Nossa senhora das Candeias e de São Thomaz de Cantuária para que juntos encontremos os caminho do crescimento não somente para a prosperidade, mas também para uma convivência mais humana, capaz de cuidar com amor da família, dos adolescentes, dos doentes, dos idosos, dos trabalhadores, dos pobres. Louvado seja NSJC Viva São Thomaz de Cantuária   +João Carlos Petrini Bispo de Camaçari - BA

 
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