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“EU VIM PARA SERVIR”: COMUNHÃO X PODER

Jesus não se apresentou como quem quer mostrar poder, mas como servidor. “Vinde a mim todos vós que estais cansados sob o peso do vosso fardo e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque eu sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 28-29).

As pessoas, antigamente e também nos dias atuais, supervalorizam o poder e tudo interpretam a partir do poder e em função do poder. Os sumos sacerdotes perguntam a Jesus: “Com que autoridade fazes essas coisas? Quem te deu essa autoridade?” (Mt 21, 23).

Jesus usou sua autoridade, seu poder divino para servir, para perdoar e para curar, jamais para ofender ou humilhar ou para se promover. Jesus entendia e vivia o poder na perspectiva do amor que se doa e busca partilhar a vida, busca estabelecer relações de comunhão.

Aos discípulos, também tomados pela lógica do poder e que lhe perguntavam quem dentre eles seria o maior, Ele respondeu: “Sabeis que os que são considerados chefes das nações as dominam, e os grandes fazem sentir seu poder. Entre vós não deve ser assim. Quem quiser ser o maior entre vós, seja aquele que vos serve, e quem quiser ser o primeiro entre vós, seja o escravo de todos. Pois mo Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muito” (Mc 10, 42-45).

Isto fica mais claro ainda na última ceia, no gesto do lava-pés. Pedro não queria que Jesus lhe lavasse os pés. Jesus disse a ele: “Se eu não te lavar, não terás parte comigo” (Jo 13, 8). O ato de lavar os pés significava manifestar de maneira simbólica a vontade de partilhar a vida, doar sua vida divina a nós e tomar para si a nossa realidade humana.

Jesus não é um ingênuo que ignora seu poder divino. Depois de lavar os pés, ele diz: “Compreendeis o que vos fiz? Vós me chamais de Mestre e de Senhor e dizeis bem, pois eu o sou. Se, portanto, eu o Mestre e o Senhor, vos lavei os pés, também deveis lavar-vos os pés uns aos outros. “Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, também vós o façais.” (Jo 13, 10-15).

Quando um discípulo com a espada decepou a orelha de um servo do Sumo Sacerdote, Jesus disse: “Guarda tua espada. (...). Ou pensas tu que eu não poderia apelar para meu Pai, para que ele pusesse à minha disposição, agora mesmo, mais de doze legiões de anjos?” (Mt 26, 53).

Quando Jesus é desafiado para transformar as pedras em pão ou a descer da cruz, Ele recusa dar mostra espetacular do seu poder, porque quer entrar no nosso coração não pelo poder, mas pelo amor. A comunhão é o contrário lógico do poder. Esta atitude de Jesus é uma lógica que quando é assimilada pelas comunidades, origina um modo de conviver totalmente diferente.

Dom João Carlos Petrini Bispo de Camaçari

 
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