[caption id="" align="alignleft" width="300"]
Foto: Geovania Cruz[/caption]
Dom João Carlos Petrini falou ao Camaçari Noticias sobre a semana Santa traçando um paralelo sobre real sentido da Páscoa e o que muitas pessoas comemoram nos dias de hoje. Confira :
O QUE MUDOU?
“A grande mudança que percebo nos últimos cinquenta anos é que, a confiança de que pode existir algo maior que a morte está se perdendo”, comentou o bispo. Segundo o religioso, a ressurreição de Jesus mostrou que a morte perdeu o seu poder. Ela, que antes era reconhecida como a solução para os problemas da sociedade, passou a ser ignorada e as pessoas começaram a se importar umas com as outras. No entanto, destaca o bispo: “Estamos retornando a uma cultura do tipo pagã, que volta a valorizar a morte como algo que resolve problema”.
Porém, diante do que chama de “confusões dos dias atuais”, Dom Petrini disse que ainda vê em algumas pessoas a manifestação da ressurreição de Cristo, e explicou: “É a força da ressurreição que move as pessoas para o bem, e se concretiza naquelas ações que não permitem que a morte domine, mas sim o amor para renovação da vida”.
Foi falando do poder de Jesus sobre a morte que o primeiro Bispo de Camaçari, começou a discorrer sobre a Páscoa, se dizendo preocupado e, ao mesmo tempo, impressionado com a facilidade com que se mata nos dias de hoje, e como a vida tem se tornado banal para muitos. “A banalidade está ganhando de nós. Ultimamente, a felicidade está armazenada em um engradado de cerveja gelada, o que nos remete a um horizonte empobrecido de vida, de significado. As pessoas precisam reencontrar Jesus e reaprender a viver e conviver apostando na beleza da vida”.
CRENDICES POPULARES
São típicas do folclore as chamadas “crendices populares”, tão ligadas às questões religiosas de um povo. Também, muito presentes no período pascal, as crendices se manifestam no que pode ou não comer, beber, vestir, falar ou fazer. Comentando sobre este assunto, bispo Petrini lembrou-se de uma senhora que morava em uma favela em São Paulo, lugar muito frequentado pelo religioso: “Encontrei essa senhora que se dizia muito zangada com o filho e era Semana Santa. Então, ela me disse que estava esperando passar o período para, aí sim o filho vê o que ia acontecer com ele”.
Separar o período da Páscoa para fazer o bem, ou não fazer o que parece mal, é prática de muitas pessoas. Aquele que xinga, grita, se irrita fácil, procura se controlar nesse período, especificamente. “Algumas pessoas vêm a Páscoa como momento sagrado, mas somente nesse período. No entanto, é bom que se saiba que, desde o momento que você é batizado para Cristo, a sua postura deve ser outra para toda vida. Não só na Semana Santa, mas em todas as outras cinquenta e uma semanas do ano”, alertou.
SAGRADO X PROFANO
“Uma coisa que se perdeu e me escandaliza um pouco é a percepção do que é grandioso, misterioso. Pensar na morte e ressurreição de Jesus exige uma postura de recolhimento, reflexão, mas não é o que vemos por aí”, comentou Dom Petrini se referindo ao comportamento de muitos frente às manifestações religiosas cristãs. Ele diz que, percebe com muita frequência a falta de respeito das pessoas, quando o cortejo de uma procissão passa por determinadas ruas e acrescenta: “O som está no volume mais alto, tocando músicas com letras vergonhosas e as pessoas estão ali, segurando o litrão de cerveja e assim se mantém. Está se perdendo a reverência pelas coisas de Deus”.
BANALIDADE MIDIÁTICA
Ainda sobre a banalização da vida nos dias atuais, o bispo destacou que a paternidade, maternidade, fraternidade, afeição e sexualidade veem se tornando um jogo de interesse, poder e prazer. “E aí vem os meios de comunicação com seus programas, que em nada ajudam a resolver essas questões, e um exemplo, é essa novela Babilônia. Eu espero realmente, que toda essa vulgaridade, promova algo positivo na consciência das pessoas. Que elas possam despertar para a gravidade disso tudo, deixem de ser passivas recebendo o que oferecem e tomem a decisão de não aceitar certas coisas dentro de suas casas, a começar com simples gestos, mudando de canal ou desligando a TV, por exemplo”.
JEJUM E ABSTINÊNCIA DE CARNE
Existem dois dias no ano que a Igreja Católica recomenda que os fiéis pratiquem o jejum e não comam carne. Segundo Dom Petrini, comer carne na Sexta-Feira Santa não faz mal, porém, conforme explica, a cultura da abstinência é importante para despertar a memória das pessoas, vencer a ignorância e as distrações. “Se praticar o jejum, ou deixar de comer carne, simplesmente por fazer, a atitude não tem significado algum diante de Deus. Quando você jejua, abre mão do alimento que é tão importante para a vida, para demonstrar que Jesus é maior e melhor do que qualquer alimento, ou pedaço de carne”.
CONSUMO DE PEIXE
Por conta do não consumo de carne na Sexta-Feira Santa, as pessoas se habituaram a comer peixes, substituindo assim, a carne vermelha pela branca. Tomando por base a explicação de Dom Petrini, sobre o significado do peixe, entende-se que não é a toa que este animal passou a fazer parte da Páscoa cristã:
“Peixe, palavra de origem grega ‘icthus’ que significa ‘Jesus Cristo Filho de Deus’, se tornou muito importante nas primeiras gerações de cristãos. A figura do peixe foi muitas vezes usada como sinal secreto entre aqueles que serviam a Jesus. Naquela época, os cristãos perseguidos chegavam às cidades onde não eram aceitos, e usavam o desenho de um peixe, para se identificarem. Se tivesse ali outro cristão, certamente esse o reconheceria e o acolheria, porém, se a pessoa que viu o desenho não soubesse do que se tratava, essa não era cristã”.
MENSAGEM FINAL
Desejo para toda população de Camaçari uma feliz Páscoa. Agora, espero que essa felicidade alcance o fundo do coração de cada pessoa, pois é ali onde habita Jesus. É importante que vejam a Páscoa presente em suas vidas todos os dias do ano. Este não é simplesmente um momento de uma comida ou bebida melhor, ou de um pouco de paz em casa porque é festa. Não é assim. A paz que Jesus nos dá permanece para sempre. Não importa os pecados que tenha cometido. Jesus está sempre diante da porta do seu coração, pedindo para entrar, querendo te proporcionar a verdadeira felicidade. Que cada um de nós possa viver algo que valha a pena e quando partir desse mundo, pensar em tudo que viveu e dizer: valeu muito”.
Fonte : Camaçari Noticias



