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Vatican Media
Dom Petrini envia mensagem ao povo depois da bênção urbi et orbi

EM LUGARES ABANDONADOS, COM NOVOS TIJOLOS EDIFICAREMOS 


Muitas pessoas, no mundo inteiro, participaram da bênção dada pelo Papa Francisco Urbi et Orbi (à cidade de Roma e ao Mundo inteiro). Neste momento dramático, marcado pela emergência pelo contágio do Covid 19, que afeta todos os Países, tivemos a possibilidade de olhar para o Papa Francisco, para o Crucifixo e o Ostensório como um único sinal, que falou para todos da Misericórdia do Pai. 


A Praça de São Pedro com a Basílica construída sobre o túmulo de São Pedro e de todos os Papas, a pequena chuva que fazia escorrer água no peito do Crucificado, que foi levado em procissão durante uma peste que afligiu o povo de Roma (e que cessou quando a procissão terminou) no início de 1500, o grande silêncio que acompanhou as palavras do Papa ajudaram a ter um olhar sintético a respeito do drama pelo qual passamos, e ouvir melhor o grito que brota do coração humano, que a  voz fraca do Papa expressou com suas palavras dirigidas ao Pai, e abriu um horizonte de esperança, porque “para Deus, nada é impossível” (Lc 1, 37).  


O Papa Francisco estava sendo a voz que mostrava o coração de todos os homens e de todas as mulheres que habitam o Planeta e que enfrentam a ameaça da pandemia, muito além das diferenças históricas, culturais, tecnológicas e mesmo religiosas. Por alguns momentos, tornou-se visível o que significa a palavra “Catholica” referida à Igreja. Significa que ela está atenta e compartilha os sofrimentos de todos com amor e é portadora de um horizonte de esperança que afunda suas raízes nos acontecimentos da vitória de Jesus Cristo sobre o mal e sobre a morte.     


O Papa pediu: “Ó Deus onipotente e misericordioso, olhai para a nossa dolorosa condição, confortai os vossos filhos e abri os nossos corações à esperança, para que sintamos em nosso meio a vossa presença de Pai.”  E, depois disse: “Mestre, não te importa que pereçamos?” (Mc 4,38). 


A pandemia desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e supérfluas seguranças, nos alertou o Papa. Ficou mais visível também a abençoada pertença comum à qual não podemos nos subtrair: a recíproca pertença de irmãos. 


Recordando a tempestade do lago de Genezaret, que ameaçava afundar o barco onde estava Jesus com seus apóstolos, o Papa nos diz: “Com Ele a bordo, experimentamos que não há naufrágio, porque a força de Deus faz resultar em bem tudo o que nos acontece, mesmo as coisas más”. 


Que podemos aprender destas circunstâncias dolorosas, além do modo de lidar com esse vírus? “É tempo de usar o juízo, e decidir o que conta e o que passa, separar o que é necessário daquilo que não o é. É o tempo de reajustar a rota da vida, rumo a Ti, Senhor, e aos outros.” E acrescenta: “Que todos sejam um só” (Jo, 17, 21).


Celebrando os 1500 anos do nascimento de São Bento, o Papa São João Paulo II, na cidade de Núrcia, em 1980, nos convidava a considerar os desafios que São Bento enfrentou em tempos da decadência do império romano: “Era necessário que o heroico se tornasse quotidiano e o quotidiano heroico”. O heroísmo que nascia da familiaridade com Jesus Cristo contribuiu de maneira decisiva para reconstruir a civilização, por isso foi proclamado patrono a Europa.  


Algo semelhante está acontecendo todos os dias nos hospitais lotados com pessoas contagiadas que são atendidas por médicos, enfermeiros e outros funcionários, que agem com heroísmo para cuidar de pessoas em graves condições de saúde. 


Aproveito para agradecer todo esse trabalho desenvolvido para atender os afetados pelo contágio. E vale a pena, num mundo que parece dominado por densas trevas, fixar nossa atenção nos pontos de luz de emergem e rearticulam a esperança e a confiança no ser humano e no seu futuro. No meio de tanto sofrimento, a vida floresce e nos surpreende pela novidade que representa. 


Eliot escreveu um poema que descreve esta postura que não desiste diante do mal e que reafirma a grandeza de reconstruir o bem, desde já.



“Em lugares abandonados, com novos tijolos edificaremos,

Há mãos e máquinas e argila para os tijolos novos e cal para a argamassa fresca.

Onde tijolos se quebraram, com novas pedras edificaremos, 

Onde as vigas apodreceram, com novas tábuas construiremos, 

Onde a palavra inexpressa permanece, com nova linguagem edificaremos. 

Com nosso esforço comum, uma nova Igreja para todos, 

E uma tarefa para cada um. 

Cada qual aso seu trabalho. (De “Os Coros de ‘A Rocha’”)


Dom João Carlos Petrini

Bispo de Camaçari - BA

  


 
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