O Brasil e a Bahia são terras de santos. Desde a memória da primeira missa celebrada nas terras do descobrimento até os nossos dias atuais. O Brasil, e mais especialmente, a Bahia, vem escrevendo a verdade da fé, seguindo com fidelidade o mandato de Jesus Cristo: “Ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome da Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo. E assim, tão simples e inexoravelmente, o fio condutor da fé navega sobre as águas do Atlântico terra adentro, fundando uma constelação de igrejas pedras vivas e filhas da Igreja Católica Apostólica Romana.
Apesar de o tempo correr veloz e, em muitos momentos, a Igreja parecer sucumbir em meio às mudanças de tempo e às ondas revoltas do mal, os sinais da presença firme e frutuosa da Igreja permanecem presentes entre nós. O que nos leva a afirmar com alegria e esperança que a Igreja está viva.
Hoje, dia 19 de fevereiro de 2024, a Igreja particular - Diocese de Camaçari - completa 13 anos de sua ereção Canônica. Isso significa que paróquias, instaladas em 08 municípios da Região Metropolitana de Salvador, foram desmembradas para gerar, como uma mãe que dá à luz aos filhos, a Igreja particular de Camaçari. Gratidão ao Papa Bento XVI, ao Cardeal Dom Geraldo Majella Agnelo, aos clérigos, aos leigos e leigas da Igreja que manifestaram a sede e o desejo de continuar com mais proximidade a evangelização e o cuidado para com as almas, ou seja, fazer multiplicar a porção do Reino de Deus!
A Diocese de Camaçari já nasceu grande, com uma população estimada de quase 700 mil habitantes. Uma Igreja rica em diversidades, uma vez formada pelas realidades da zona rural, da periferia, dos centros urbanos, do litoral norte. Realidades quilombolas, acampamentos de sem-terra, Polo Petroquímico, Centro Industrial de Aratu, povos ciganos, igrejas evangélicas e neopentecostais, como também culturas e religiosidades africanas que compõem a realidade plural da jovem Igreja diocesana.
Como não fazer memória dos padres e religiosos que passaram por essas terras, antes mesmo de pensar que um dia a quinta região episcopal da Arquidiocese de Salvador se tornaria uma Igreja particular. De padre Luís, que ainda atua na Paróquia São Bento em Monte Gordo, a padre Paulo Tanutti. Do frei padre Godofredo, frei Stanislaw, padre Emilio Félix, frei Mario Quintela, padre Gordon, padre Nelson Bandeira (in memorian).
Como não lembrar e agradecer ao padre Jorge Bonfim, Dom Walmor Azevedo, Dom Josafá Menezes e tantos outros padres que trabalharam nessas terras e cidades de missão. Padre Thorran, o padre francês Bernardo Leau, Monsenhor Luís Ferreira de Brito, Monsenhor Moisés, além das religiosas e dos protagonistas leigos e leigas de todas as horas.
Para patrono da nova Diocese foi escolhido o santo inglês São Thomaz de Cantuária e como co-padroeira Nossa Senhora das Candeias, dado a gigante devoção e piedade popular. Para primeiro bispo da nova Diocese foi nomeado, pelo papa Bento XVI, o até então bispo auxiliar de Salvador, o italiano Dom João Carlos Petrini que, com muito entusiasmo e dedicação, teve a missão de construir as estruturas físicas, a saber: a Cúria diocesana e o Centro de Pastoral, a residência episcopal, a Casa de Retiro da Diocese, além da criação de algumas novas paróquias e a ordenação dos primeiros sacerdotes filhos da nova Diocese nos seus 11 anos, que aqui agradecemos e louvamos a Deus.
O tempo corre veloz e hoje, dia 19 de fevereiro de 2024, queremos também render graças a Deus pelos dois anos da chegada, do pastoreio e da presença entre nós de nosso novo bispo, Dom Dirceu de Oliveira Medeiros. Assim, a jovem Diocese de Camaçari ganhou seu segundo bispo, brasileiro, das Minas Gerais, uma terra de tradição católica, que vem com bastante alegria e coragem dar continuidade ao mandato e a missão de Jesus de fazer discípulos todos os povos.
Desse modo, nossa Igreja diocesana cresce em estatura, em identidade e humanidade, fazendo crescer a porção do Reino de Deus. Hoje, podemos louvar e bendizer a Deus pela fé, pelas belas lembranças e memórias e pela evangelização que acontece entre nós. Ainda falta muita coisa, ainda temos muito a fazer nestas terras metropolitanas de missão; mas, mesmo com passos aparentemente lentos, o que importa é continuar caminhando com a consciência de que Jesus está em nosso meio e que Ele caminha conosco, porque sem Ele nada podemos fazer. Somente Jesus Cristo é suficiente e necessário. E Cristo quer precisar de nós! Ele quer que sejamos corresponsáveis, protagonistas ativos da missão e não meros passivos discípulos. Afinal, tudo que conseguimos viver nesses 13 anos de Diocese é apenas um pouco do muito que Deus tem reservado para nós e para os futuros fiéis dessa Igreja singular, filha da Igreja milenar, a Igreja Católica.
Gratidão a todos os batizados e engajados de hoje que com alegria são capazes e humildes de fazer memória dos que nos antecederam, ao passo que são também capazes de saber que sozinhos nada podemos fazer ou mesmo ser!
Dito tudo isso, fica a certeza de que somos meros servos de Deus. Estamos na mesma barca, quer sucumbindo ou quer salvando, na esperança de que, neste tempo de revisitar a sinodalidade da Igreja, possamos seguir caminhando juntos, pois 200 quilômetros são percorridos dando o primeiro passo. Caminhemos juntos, rumo ao jubileu dos 15 anos de nossa Diocese, como autênticos e verdadeiros peregrinos da esperança.
Pe. Alex Oliveira de Almeida.