São Thomaz de Cantuária é o padroeiro da cidade e Diocese de Camaçari, na última quinta-feira (07/01) o padroeiro foi celebrado com sete horários de missas, favorecendo assim a participação dos fiéis. Confira na integra a homilia de Dom João Carlos Petrini na Missa festiva :
SÃO THOMAZ DE CANTUÁRIA (1118-1170) - 2021Dom João Carlos Petrini
Encontramo-nos na Catedral para festejar o Santo Patrono do Município e da Diocese de Camaçari, São Thomaz de Cantuária, ainda no início do ano civil, neste ano de 2021 em que festejamos os dez anos da criação da Diocese de Camaçari.
Iniciamos este ano com o coração carregado de esperanças: que com a vacina possamos vencer as ameaças e as restrições impostas pelo Corona vírus, a esperança de que os empregos voltem a crescer em nossa cidade, de que as escolas possam voltar a funcionar, a esperança de uma convivência de paz, de irmãos que se respeitam e de cidadãos que cooperam.
Estão presentes nesta Catedral, ou nos acompanhando pelas redes sociais, os prefeitos e os vereadores que foram eleitos em novembro passado com seus secretariados. A todos e a cada um quero saudar com amizade e estima. Aqui estão famílias, crianças e adolescentes, trabalhadores e desempregados, empresários, comerciantes, funcionários públicos, estudantes, jovens, outras autoridades, todos reunidos para pedir as bênçãos de Deus para este ano que está começando. Hoje, de maneira especial vamos pedir que a Luz de Cristo e a Sabedoria do Evangelho alcancem cada pessoa, desde as autoridades com responsabilidades maiores, até os adolescentes com a responsabilidades do seu crescimento e da sua formação, e todos os cidadãos para que cada um possa dar o melhor de si para o bem da cidade, para o bem de todo o povo.
O Natal que comemoramos e as Sagradas Escrituras nos atestam que o Mistério de Deus Criador se deu a conhecer como nosso Pai que nos ama com Misericórdia. E nós todos somos irmãos como nos fala o Papa Francisco na última Encíclica intitulada “Irmãos Todos” na qual nos convida a vivermos como irmãos de verdade, sem exclusões. E, a primeira leitura, da 1ª Carta de São João dizia: “Nós amamos a Deus, porque Ele nos amou primeiro. Mas, se alguém disser que ama a Deus mas odeia o seu irmão, é um mentiroso. Pois, quem não ama a seu irmão que vê, não poderá amar a Deus que não vê”.
Deus nos enviou o seu Filho Jesus Cristo para compartilhar a nossa condição humana (em tudo semelhante a nós menos no pecado) e vencer nossas fragilidades, como nos fala o Evangelho de Lucas. O Pai enviou Jesus até nós para anunciar a Boa Nova aos pobres, para restituir a vista aos cegos. Em suma, Ele está entre nós para expulsar o espírito do mal, curar as feridas do nosso coração, fortalecer o ânimo, para iluminar a nossa inteligência e orientar as decisões em favor do bem e da paz, desde as atitudes mínimas (como não manter o som ligado no último volume depois das dez da noite), até os cuidados com a criação de novos empregos, os cuidados com a educação e a saúde, a segurança e a administração da justiça.
O Papa Francisco publicou para o primeiro do ano, dia Mundial da Paz, um belíssimo documento no qual afirma que a paz é fruto de uma cultura do cuidado. O bem comum, o bem maior para todo o povo, só poderá acontecer pela convergência dos cuidados de muitas pessoas. Por exemplo, numa escola pública, é necessário não somente o bom desempenho (os cuidados) da diretora e dos professores, mas também de cada aluno, e dos pais que os acompanham, do porteiro que cuida do que acontece na frente do portão da escola. Cada pessoa com seu trabalho, com sua responsabilidade, com seu coração atento, tem importância decisiva.
Quero recordar os Reis Magos. Eles provavelmente viviam no palácio do Rei da Babilônia como conselheiros, e buscavam nas estrelas caminhos para encontrar a felicidade e a paz, para entender a realidade. Viram um cometa e pensaram que valia a pena ver onde os levaria. Antes de chegar à gruta onde nasceu Jesus, na cidade de Belém, passaram no Palácio de Herodes. Que diferença entre os Santos Reis e o Rei Herodes. Nesse encontro, está retratado o embate que atravessa toda a história, entre quem reconhece e aceita Jesus Cristo e quem quer eliminá-lo. Mas, este embate não acontece somente nos palácios dos poderosos. Acontece no coração de cada um de nós. Cada pessoa, mesmo que reconheça e adore a Jesus Cristo, tem em seu coração algo de Herodes, que rejeita Jesus. O caminho do bem comum e da paz se decide no coração de cada pessoa. Por isso, é tão decisivo permanecermos ligados a Jesus. Diz a 1ª Leit.: “Esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé”(1ª Jo, 5, 4).
O que faz a diferença entre os Santos reis e Herodes, entre uma pessoa e outra, é a abertura do coração e da inteligência para reconhece-lo e acolhê-lo, para que Ele seja um fator real nas decisões que tomamos.
Festejar São Thomaz significa prestar homenagem a um homem que tinha algo dos Santos Reis: Ele buscava o significado da vida, algo pelo qual valesse a pena a luta de cada dia. Por isso, fez uma longa viagem e passou anos em Bolonha, em Paris, e Auxerre onde estudou filosofia e direito, teologia e artes. Quando voltou a Canterbury, o Arcebispo Teobaldo o quis como seu secretário. Mas, depois de alguns anos, tornou-se Rei da Inglaterra Henrique II, que tinha 22 anos e precisava de uma pessoa madura e sábia para ajudá-lo a governar. O Arcebispo Teobaldo indicou o seu Secretário Thomaz Becket, para ser Chanceler (1º Ministro) do jovem Rei, em 1154. Thomaz revelou-se um grande administrador que fez prosperar a Inglaterra. Ele estava a serviço da corte do Rei, mas encontrava na Palavra de Deus e na Eucaristia o alimento para a sua fé e a sabedoria que nele era tão admirada e sua capacidade de governar e cuidar dos pobres. São Thomaz atesta que também quem tem grandes responsabilidades pode ser cristão com muito proveito. Quanto maior a responsabilidade, mais decisivo é pertencer a Jesus e beber da Sabedoria do Evangelho, para desempenhar bem om próprio cargo.
Em 1162, São Thomaz foi nomeado arcebispo de Canterbury. O Rei achou que podia aproveitar do amigo para submeter a Igreja ao seu poder, transformando-a numa espécie de associação beneficente e, inclusive, confiscando seus bens. São Thomaz resistiu com coragem e defendeu a liberdade da Igreja. Por isso, foi perseguido, e exilou-se na França. Depois de seis anos, retornou à sua cidade, mas no dia de sua chegada, 29 de dezembro de 1170, enquanto estava começando a oração das vésperas com seus padres na Catedral, foi morto. Seu martírio atesta que ele amava mais a verdade do que seu prestígio junto ao Rei, do que sua própria vida. Imediatamente, a Catedral tornou-se lugar de peregrinação de multidões, com a realização de muitos milagres. Em 1174, o Papa o proclamou Santo. O Rei Henrique teve que pedir perdão publicamente para restabelecer a paz com seu povo e continuar reinando. Comemorar São Thomaz significa apresentar aos adolescentes e aos jovens e ao povo de Camaçari um homem movido por um grande ideal, um homem que nunca se resignou a viver apenas avaliando vantagens. Mesmo no auge do poder, nunca deixou de buscar as razões pelas quais vale a pena viver com grandeza de ânimo e com dignidade.
Mártir é uma palavra grega que significa testemunha. São Thomaz testemunha que existe Algo que é mais importante que a vida. O que dá significado e esperança à vida é mais importante que a vida. Porque a vida sem significado não tem graça nenhuma. Esse Algo que dá significado e beleza à vida é a Aliança com Deus, é a união com Jesus. Ele preferiu morrer permanecendo unido a Jesus, do que continuar vivo sem essa Luz. No Evangelho, Jesus diz que quem quiser viver com grandeza deve abraçar a cruz e segui-lo. Quem coloca à disposição suas capacidades para o bem de todo o povo, quem oferece sua vida para construir a paz e defender a justiça, até com sacrifício próprio, este ganha a vida. Mas quem tem como horizonte somente seu interesse e bem-estar, este se perde, perde o melhor, perde a dignidade e a grandeza humana. “Que adianta alguém ganhar o mundo inteiro, mas arruinar a sua vida?”
Nós admiramos a personalidade e a fortaleza de São Thomaz, podemos nos aproximar de sua grandeza percorrendo um caminho de fé semelhante à dele.
Esperamos que a nossa cidade obtenha a proteção de Sã Thomaz, que possa retomar as dinâmicas do crescimento. A Igreja participa deste dinamismo através da evangelização: a Encíclica Caritas in Veritate diz: “O anúncio de Cristo é o primeiro e principal fator de desenvolvimento” (CV, 8). A liderança do Papa Francisco anima não somente os cristãos, mas os homens e as mulheres de boa vontade para buscar a paz, vencer as desigualdades, atender as necessidades dos mais pobres, promover o desenvolvimento sustentável, fazer crescer uma humanidade integral, respeitar a natureza.
No mundo inteiro estão crescendo modos indignos de agir como se os adversários fossem inimigos a serem destruídos, lançando mão de qualquer recurso desde que sirva para ganhar.
Nós, que contamos com a Presença de Cristo e com a sua Palavra, com o exemplo e a proteção de São Thomaz, podemos manter distância de atitudes grosserias, vulgares e incivis. “Esta é a vitória que vence o mundo (essa mentalidade agressiva e violenta) a nossa fé (1ª Jo, 5, 4).
A Diocese está completando dez anos de existência. Foram dez anos de evangelização e de crescimento na vivência da religião, caminhando com simplicidade, com coração aberto para conviver na paz com todas as pessoas que buscam o bem. Caminhamos na estrada de Jesus. Juntos como irmãos, juntos como povo de Deus, aqui estamos na Tua Presença, Senhor, para pedir pela nossa cidade, por seus moradores, pela paz em nossas famílias e em nossas ruas, pelos administradores da cidade e pelos trabalhadores, por todos os que podem contribuir para construir ambientes de paz, na família, nas escolas, nas empresas, na política.
Oh nossa Senhora das Candeias, amparai os pobres, defendei as famílias e os jovens, protegei nossa cidade e os que têm responsabilidade de governo, fazei brilhar em nossos corações a Luz de Cristo, para que o povo de Camaçari e da Diocese experimente um ano de paz, de justiça, de prosperidade. Glorioso são Thomaz, nosso padroeiro, orientai os jovens de Camaçari para que, ampliando o próprio horizonte até as estrelas como os Santos Reis, caminhem com Jesus, cresçam como homens e mulheres retos, apaixonados pelo bem e pela paz.
SÃO THOMAZ DE CANTUÁRIA (1118-1170) - 2021
Encontramo-nos na Catedral para festejar o Santo Patrono do Município e da Diocese de Camaçari, São Thomaz de Cantuária, ainda no início do ano civil, neste ano de 2021 em que festejamos os dez anos da criação da Diocese de Camaçari.
Estão presentes nesta Catedral, ou nos acompanhando pelas redes sociais, os prefeitos e os vereadores que foram eleitos em novembro passado com seus secretariados. A todos e a cada um quero saudar com amizade e estima. Aqui estão famílias, crianças e adolescentes, trabalhadores e desempregados, empresários, comerciantes, funcionários públicos, estudantes, jovens, outras autoridades, todos reunidos para pedir as bênçãos de Deus para este ano que está começando. Hoje, de maneira especial vamos pedir que a Luz de Cristo e a Sabedoria do Evangelho alcancem cada pessoa, desde as autoridades com responsabilidades maiores, até os adolescentes com a responsabilidades do seu crescimento e da sua formação, e todos os cidadãos para que cada um possa dar o melhor de si para o bem da cidade, para o bem de todo o povo.
O Natal que comemoramos e as Sagradas Escrituras nos atestam que o Mistério de Deus Criador se deu a conhecer como nosso Pai que nos ama com Misericórdia. E nós todos somos irmãos como nos fala o Papa Francisco na última Encíclica intitulada “Irmãos Todos” na qual nos convida a vivermos como irmãos de verdade, sem exclusões. E, a primeira leitura, da 1ª Carta de São João dizia: “Nós amamos a Deus, porque Ele nos amou primeiro. Mas, se alguém disser que ama a Deus mas odeia o seu irmão, é um mentiroso. Pois, quem não ama a seu irmão que vê, não poderá amar a Deus que não vê”.
Deus nos enviou o seu Filho Jesus Cristo para compartilhar a nossa condição humana (em tudo semelhante a nós menos no pecado) e vencer nossas fragilidades, como nos fala o Evangelho de Lucas. O Pai enviou Jesus até nós para anunciar a Boa Nova aos pobres, para restituir a vista aos cegos. Em suma, Ele está entre nós para expulsar o espírito do mal, curar as feridas do nosso coração, fortalecer o ânimo, para iluminar a nossa inteligência e orientar as decisões em favor do bem e da paz, desde as atitudes mínimas (como não manter o som ligado no último volume depois das dez da noite), até os cuidados com a criação de novos empregos, os cuidados com a educação e a saúde, a segurança e a administração da justiça.
O Papa Francisco publicou para o primeiro do ano, dia Mundial da Paz, um belíssimo documento no qual afirma que a paz é fruto de uma cultura do cuidado. O bem comum, o bem maior para todo o povo, só poderá acontecer pela convergência dos cuidados de muitas pessoas. Por exemplo, numa escola pública, é necessário não somente o bom desempenho (os cuidados) da diretora e dos professores, mas também de cada aluno, e dos pais que os acompanham, do porteiro que cuida do que acontece na frente do portão da escola. Cada pessoa com seu trabalho, com sua responsabilidade, com seu coração atento, tem importância decisiva.
No mundo inteiro estão crescendo modos indignos de agir como se os adversários fossem inimigos a serem destruídos, lançando mão de qualquer recurso desde que sirva para ganhar.
Oh nossa Senhora das Candeias, amparai os pobres, defendei as famílias e os jovens, protegei nossa cidade e os que têm responsabilidade de governo, fazei brilhar em nossos corações a Luz de Cristo, para que o povo de Camaçari e da Diocese experimente um ano de paz, de justiça, de prosperidade. Glorioso são Thomaz, nosso padroeiro, orientai os jovens de Camaçari para que, ampliando o próprio horizonte até as estrelas como os Santos Reis, caminhem com Jesus, cresçam como homens e mulheres retos, apaixonados pelo bem e pela paz.



