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Confira na integra a Homilia de Dom Dirceu na abertura do Ano Santo da Esperança

A Abertura Diocesana do Ano Jubilar da Esperança iniciou nesse domingo, dia 29 de dezembro, com momento de Peregrinação do Centro Diocesano São João Paulo II até à Igreja Jubilar, São Thomaz de Cantuária, atendimento de confissões e a Santa Missa, presidida pelo bispo diocesano, Dom Dirceu. Confira na integra a Homilia : 


Caros irmãos e irmãs! 

O que é um jubileu? 

Iniciamos hoje, com toda a Igreja e unidos ao Santo Padre, o ano jubilar. Numa palavra o Ano Jubilar é um tempo de Graça e tem raízes bíblicas. Jesus no evangelho se auto revela como aquele que veio proclamar o ano da graça do Senhor. O Senhor disse a São Paulo quando este lhe pediu que tirasse dele o espinho que tinha na carne: “basta-te a minha graça”. Em seu livro o Desaparecimento dos ritos, o escritor coreano diz: os ritos são no tempo o que uma habitação é no espaço. Os ritos e o ser humano precisam de ritos, fazem o tempo se tornar habitável, ordem o tempo. Em uma palavra o Jubileu é tempo de Graça! Não desperdicemos esta Graça que o Senhor nos oferece por meio de sua Igreja! Santo Agostinho advertia: “tenho medo da Graça que passa e não volta mais”. 

Peregrinos da Esperança! 

O Papa quer recordar-nos que somos peregrinos. Peregrinar é um ato bíblico. O povo de Deus foi peregrino no deserto. Os salmos atestam isso, os famosos cânticos das subidas (Sl 120).  O evangelho da festa de hoje nos apresenta a Família de Nazaré como peregrinos, todos os anos subiam a Jerusalém para peregrinar à Jerusalém! A metáfora que melhor traduz a complexidade da vida humana é a imagem da viagem. Estamos viajando! Não, a nossa vida não é uma festa, mas sim uma viagem! Estabelecemos seis Igrejas como lugares de peregrinação que podemos visitar em grupo ou sozinhos e depois de cumpridas as recomendações da Igreja, alcançar os benefícios espirituais ou indulgências que o Senhor nos oferece, são elas: 

Igreja Catedral, Matriz de São Miguel em Simões Filho, Matriz de São Sebastião em São Sebastião do Passé, Santuário Diocesano de Nossa Senhora das Candeias, Matriz do Divino Espírito Santo em Abrantes, Capela Menino Jesus, na Fazenda Natal. 

Caminhamos com um olhar fixo no horizonte escatológico, ou seja, no céu, pois somos cidadãos do céu. Temos um olho fixo na realidade, afinal o Reino de Deus já está no meio de nós, contudo, outro na eternidade, pois para lá caminhamos pressurosos e na penumbra da fé.  

A esperança não decepciona. (Rm 5, 5) 

A tônica é recuperar a esperança. Desde o último jubileu, no ano 2000, quanta coisa mudou e ainda está mudando. Vivemos em sociedade polarizada que perdeu a capacidade de dialogar, as guerras se multiplicaram, a pandemia nos impactou. Reativemos a Esperança! Mas o que é a esperança? Penso na esperança como uma flor. Estes dias ganhei uma rosa do deserto.  

 

“A esperança é uma flor teimosa e a única capaz de brotar no terreno da impossibilidade, em locais de solos áridos, desertos, pedregosos e pobres, em condições em que pela lógica vida alguma ali nasceria.” A Esperança se parece com o mandacaru!  

A Esperança tem nome: é Jesus de Nazaré. Espero que coloquemos nele e em mais ninguém nossa esperança. Que possamos dizer como são Paulo “sei em quem depositei minha esperança (2 Tm 1, 12) 

A grande Esperança 

Na Carta Encíclica Spe Salvi o Papa Bento XVI faz uma distinção clássica entre a Grande Esperança que é Jesus, o consumador do Reino de Deus e as pequenas esperanças. Vivemos de pequenas esperanças: o sonho de uma casa própria, a sobriedade do filho, uma enfermidade a superar. Contudo, essas pequenas esperanças devem ser vividas à luz da grande Esperança que é jesus, o Filho de Deus, cuja natividade acabamos de celebrar no Natal.  

Nosso dever de casa ao longo deste ano santo que se encerrará em 28 de dezembro de 2025: abrir bem os olhos e perceber os sinais de esperança e os lugares de esperança presentes em nossa realidade, seja paroquial ou diocesana. Poderíamos citar alguns aqui: as 24h para o Senhor que tem aproximado a tantos da Eucaristia, a crescente preocupação com os irmãos em situação de rua em nossa diocese, com tantas iniciativas, as mães que oram pelos filhos que foram visitar a colônia penal, as mães dos irmãos encarcerados, enfim, a vitalidade de nossa Igreja Particular. São sinais de quem Deus continua agindo em sua Igreja e nos impulsiona a não desanimar. Não é à toa que o programa radiofônico de nossa Diocese se chama Igreja Viva! 

A âncora 

Uma imagem sugestiva é da âncora. Ela nos leva a compreender a estabilidade e segurança que possuímos em meio as águas agitadas desta vida. Ela nos ensina que as tempestades nunca poderão prevalecer, porque estamos ancorados na esperança da graça. Ela nos sustenta no caminho e exorta-nos a caminhar sem perder de vista a grandeza de nossa meta: o céu! 

A Mãe da Esperança 

Na Bula o para o Ano Santo o Papa diz: “a esperança encontra, na Mãe de Deus, a sua testemunha mais elevada, n’Ela vemos como a esperança não é um mero otimismo, mas dom da Graças no realismo da vida (...) Mãe da esperança assim o Papa a chama. E prossegue: “não é por acaso que a piedade popular continua a invocar a Virgem Santa como stella maris, um título expressivo da esperança segura de que, nas tempestuosas dificuldades da vida, a Mãe de Deus vem em nosso auxílio, apoia-nos e convida-nos a ter fé e a continuar a esperar. 

 
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