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Foto : Verinilson Lima
Confira na integra a homilia da Missa de Posse de Dom Dirceu como bispo da Diocese de Camaçari

  1. HOMILIA DA MISSA DE POSSE DE DOM DIRCEU DE OLIVEIRA MEDEIROS

  2. Camaçari, 19 de Fevereiro de 2022


  3. Caros irmãos e irmãs aqui presentes e que nos acompanham pelos meios de comunicação, a todos minha SAUDAÇÃO DE PAZ. Venho em nome de Cristo! Bato suavemente à porta de cada coração e lar. E, peço entrada! Peço licença para pisar este solo santo: terra de Santa Dulce dos Pobres, o anjo bom da Bahia. A figura de Santa Dulce sempre nos interpela a não descuidarmos dos pobres e vulnerabilizados. 


  4. Saúdo ao Em.mo. Sr. Cardeal Sérgio da Rocha, Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil, que me acolheu com tanto afeto colegial. A Dom João Carlos Petrini, Bispo Emérito de Camaçari. Que Deus o recompense pelo bem que fez a esta jovem Igreja Particular. Saúdo Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Presidente da CNBB, Dom Joel Portella Amado, Secretário Geral da CNBB, a Dom João Cardoso, Presidente de nosso Regional Nordeste 3, e, na pessoa dele, os demais Arcebispos e Bispos presentes. Não poderia de deixar de saudar ao Bispo da minha Diocese de origem, Dom José Eudes Campos do Nascimento, que tem sido uma presença animadora em minha vida neste início de ministério episcopal.


  5. Uma saudação aos membros do Colégio de Consultores, ao Cabido Diocesano, aos irmãos presbíteros de minha querida Diocese de Camaçari. Aos diáconos permanentes, membros da vida consagrada, seminaristas, leigos e leigas. Nós formamos esse belo mosaico que é a Igreja Particular de Camaçari, chamada a formar comunidades eclesiais missionárias e a ser casa de comunhão e formação, casa missionária e de caridade.

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  7. Na pessoa do Sr. Antônio Elinaldo, Prefeito Municipal de Camaçari, saúdo as autoridades civis e militares presentes e representadas. Saúdo aos padres de outras dioceses que aqui congregam conosco. Aos meus familiares que tem sido apoio e sustento neste tempo de transição. 


  8. Saúdo aqueles que vieram participar deste momento conosco, sobretudo da Diocese de São João del-Rei, padres e leigos. Bem-vindos e obrigado pela presença. Saibam que o coração e as portas desta diocese estarão sempre abertos para vocês.


  9. A todas as vítimas das fortes chuvas que atingiram o Sul da Bahia e mais recentemente a cidade de Petrópolis. Louvo o esforço gigantesco da Caritas, deste regional e da CNBB, em parceria com outras entidades, no sentido de socorrer as vítimas e devolver a eles a esperança.


  10. Um minuto de silêncio por todas as pessoas que perderam seus entes queridos em decorrência da pandemia e por aqueles que sofrem os efeitos da pandemia: desemprego, fome, depressão. Cada vida é preciosa!


  11. Mas voltemos à Palavra de Deus. Quero fazer jus ao meu lema Episcopal: Na tua Palavra. Devemos sempre partir da Palavra. A Palavra nos guarda. Os Rabinos do antigo Israel diziam: não é Israel quem guarda o sábado, mas o sábado que guarda Israel, do mesmo modo é a Palavra que nos guarda do mal e do erro, não nos desviemos dela. 


  12. A Palavra de Deus, neste domingo, nos traz uma grande novidade: o bálsamo do perdão e da misericórdia, presente na primeira leitura e nos ensinamentos e atitudes de Jesus. Se levados a cabo, o perdão e a misericórdia são capazes de subverter a ordem perversa vigente neste mundo. Infelizmente vemos a violência crescer à nossa volta e pior ainda crescem os discursos que favorecem ao uso da força e da violência como solução. Isto, definitivamente, não combina com a Palavra de Deus e o Evangelho de Cristo. Não vamos construir a paz semeando ódio e violência! Nosso Deus é o Deus da paz!


  13.  Na primeira leitura, Davi, aquele jovem ungido por Samuel para ser Rei de Israel, perseguido por Saul teve oportunidade de matá-lo, mas poupou a vida do Rei num gesto de grandeza. Davi teve uma atitude nobre, digna de um rei. Sua atitude quebrou a espiral da violência. Como ensina nosso povo simples: Davi, de alma nobre, não pagou o mal com o mal. 


  14. No Evangelho de hoje, Jesus nos ensina a fazer o bem àqueles que nos odeiam e orar por aqueles que nos amaldiçoam. Sabemos que esta não é tarefa fácil, quem disser que é fácil está mentindo. Humanamente falando é um desafio, mas é o caminho de redenção interior. É um caminho a ser trilhado e que implica numa kénosis interior, em uma luta interior. O Patriarca Atenágoras já nos ensinava: “a mais dura das guerras é aquela que se trava contra si mesmo”! Mas a Igreja acredita e nunca deixará de acreditar na força medicinal do perdão. Vamos começar a receitar o perdão para tanta gente machucada. 


  15. Retomemos a frase de Jesus: “Sejam misericordiosos, assim como o Pai de vocês é misericordioso”. Alguém poderia perguntar: Jesus nos pede algo inalcançável? Afinal quem poderia ser tão misericordioso quanto Deus? Porém, o sentido é outro: colocamo-nos no caminho de Jesus, experimentando dia a dia a misericórdia do Senhor e exercendo esta misericórdia na direção daqueles que estão à nossa volta. Devemos perdoar porque o Senhor nos perdoou. Ele é, permitam-me o neologismo, O PERDOADOR por excelência. Deus é perdoador!


  16. Misericórdia que não significa compactuar com o erro e a injustiça, mas olhar com o coração a miséria do outro e curá-lo. Só é capaz de fazer isso quem, como Jesus, tem consciência de sua miséria, quem sabe ser um curador ferido. Só será um bom curador que já foi ferido ou experimentou sua fragilidade.


  17. Hoje, iniciamos um novo caminho. Deus abre para nós uma nova estrada. Quero trilhar esse caminho com vocês. Duas palavras: respeito e corresponsabilidade. Aqui, há 462 anos, com o aldeamento e a construção do Colégio dos Jesuítas em Abrantes, a fé católica foi plantada. Temos a Missão de conservar e transmitir essa fé, respeitando os outros credos, sem renunciar a nossa identidade. 


  18. Respeito é a palavra, pois não começo do zero, mas estou ciente de que há um caminho já percorrido, porém, sei que o Espírito de Deus nos indicará novas frentes onde a semente do Evangelho deverá ser lançada, afinal é próprio do Espírito de Deus abrir novas estradas.


  19. Corresponsabilidade, porque ninguém faz nada sozinho. A propósito, retomo parte de minha mensagem ao povo de Camaçari, no dia de minha nomeação: “Vocês ainda não me conhecem e nem eu conheço vocês, contudo já estão em meu coração de pastor. Minha disposição primeira é conhecer vocês e, com vocês, continuarmos essa caminhada na perspectiva da corresponsabilidade. Lembrem-se: ninguém faz nada sozinho, preciso de vocês, vocês precisam de mim e nós necessitamos de Cristo, o Bom Pastor, pois ele mesmo diz: ‘sem mim nada podeis fazer’!”. 


  20. Um olhar para frente: Camaçari e a região tornaram-se um importante polo industrial e uma realidade urbana. Evangelizar a cidade é um desafio: a pastoral urbana. Não podemos continuar insistindo em uma pastoral rural em um país cada vez mais urbano. Queremos ser, como nos aponta a Igreja no Brasil, uma casa de portas sempre abertas: ser casa de comunhão, de formação, missionária e da caridade para responder a estes desafios atuais.


  21. Enfim, quero ir ao encontro de vocês! Minha primeira missão é conhecer. Rogo a proteção da Virgem das Candeias e de nosso Patrono São Thomaz de Cantuária.

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  23. Aproveito para CONFIRMAR, enquanto não definirmos o contrário, todas as funções da Diocese e peço que rezem por mim. 



 
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